sexta-feira, 15 de maio de 2009

do futuro

Eu espero que funcione. Eu desejo que dê certo. Eu fiz tantas escolhas e não faço idéia do futuro que me espera. Eu defini metas e não sei se consigo cumpri-las. Parece que todo mundo sabe onde vai chegar, mas eu não consigo nem ver o que vai acontecer amanhã. Eu fico ansiosa pelas novidades e desesperadas pelos resultados. Eu queria que fosse mais fácil mas, eu almejo o mais difícil. E se tudo for em vão? Talvez meu futuro seja apenas a continuidade do presente. E nada mude, nem melhore, nem piore só passe, só aconteça. E os anos que se seguem não me acrescentarão nada, fora a velhice, nada mudará pela minha existência, nada que eu aprendi vai salvar minha alma. E eu vou lembrar das cores que eu imaginei, dos desenhos que fiz, das palavras que aprendi, do futuro que eu planejei, e do nada que eu fiz. Ninguém vai lembrar meu nome e vou passar em branco pela vida colorida.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

do tempo

Depois que aprendi a contar o tempo ele me dominou. Nada nunca dura o que deveria durar.
Pra dormir a noite é pouca, pra sofrer o dia é imenso, pra sair o tempo é curto, pra estudar o tempo é corrido, pra conversar o tempo é contado. Conta-se o tempo que uma vida dura, o tempo entre um ônibus e outro, o tempo que falta pra encontrar alguém, o tempo que falta pra ir embora, o tempo que demora pra chegar lá, o tempo que sobra, e o tempo que não existe. O tempo é contado pra organizar o dia, pra fazer as pessoas se encontrarem num mesmo momento, pra você ser atendido sem espera, pra as aulas começarem iguais, pra todo mundo sair junto, pro show custar o quanto dura, pra seus pais definirem seus limites, pra que existam festas de aniversário. Enquanto eu envelheço, eu planejo meu dia, enquanto meus traços murcham, eu vejo meus encontros acabarem não acontecendo, meus cabelos já não são os mesmo e tô me atrasando pra aquela aula que vai começar sem mim, minha mente já não lembra dos detalhes; eu tenho hora pra chegar e tenho hora pra voltar. E enquanto eu espero mais um aniversário eu perco meu tempo contando o tempo que falta pra ser feliz.

terça-feira, 12 de maio de 2009

da minha vida

Eu tenho pressa e ando devagar. Eu me seco e fico molhada. Eu penso muito e faço pouco. Eu quero mais e peço menos. Eu acordo e preciso dormir. Eu estudo e não sei de nada. Eu respiro mas eu não vivo. Eu faço dieta e não emagreço. Eu me esforço e não consigo. Eu amo e não sou amada. Eu ligo e não me atendem. Eu mando emails e não me respondem. Eu desejo e nada acontece. Eu imagino e nada torna-se real. Eu me desloco mas não me mudo. Eu me estico mas não alcanço. Eu dou risadas mas não acho graça. Eu tiro fotos mas não fico nelas. Eu conheço pessoas mas não faço amigos. Eu beijo e não sou beijada. Eu dou mas não recebo. Eu acerto e ninguém vê. Eu escrevo mas ninguém lê.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

dos que amo

É inacreditável o quanto eu posso amar. Eu amo muito, muita gente, muitas coisas, muitos perfumes, muitos momentos... E esse amor não é algo que se possa quantificar, eu não amo alguém menos, nem mais do que outra pessoa poderia. Amar se compara com gravidez, não tem como se estar meio grávida, e se você ficar em dúvida, faz o teste e não tem como voltar atrás. É uma gravidez sem aborto, sem nascimento, é só uma coisa que cresce em você, que consome você, e se alimenta de você e de tudo que é seu.
É mais do que um verbo, e no coração de quem já experimentou é um verbo que não se conjuga no passado. Um eterno presente que pode causar dor e satisfação, prazer e agonia, pode ser sufocante e indispensável, só uma brisa ou uma ventania. E nunca acaba, ninguém "desama", ninguém esquece, não é que seja uma ferida ou uma cicatriz, não é físico, não é visível, não é palpável, é apenas sútil, abstrato, ínfimo, imensurável, inviolável.
É simplismente o meu amor pela vida e pelos que estão nela que me move. E não difere para ninguém que eu amo. Não existe amor de amigo diferente de amor de namorado. Para mim, o que difere é a complementação. Para um amigo é amor + admiração + companheirismo + confiança; Por um namorado é mais paixão; por sua família é mais necessidade; por Deus é mais extinto; por você mesmo é mais autopreservação. E é sempre o amor mais alguma coisa que liga você a outra pessoa. E eu me ligarei aos que me quiserem o quanto houver em mim a capacidade de amar e de deixar ser amada.

domingo, 10 de maio de 2009

do que eu preciso

Precisar de algo é não ter opções; é sofrer; é correr atrás; é não ter.
Eu não tenho muitas coisas, por isso que vivo correndo atrás delas, daí eu vivo a sofrer, porque correr cansa, e eu prefiro andar devagar, bem devagarzinho... Eu prefiro olhar os carros, o movimento, a luz, o céu, o vento e os espelhos. Sim, eu adoro os espelhos. São os espelhos que mostram que eu não tenho opções e sim um padrão; são eles que me fazem querer ser. Ser mais bela, mais simpática, mais divertida, mais feliz, mais amorosa, mais cruel, mas dura, mais fria, mais crente, mais, mais, mais. Muito mais do que e sou. E eu, logo eu que preciso de tão pouco. Um pouco de luz, carbono, oxigênio [menos de 1/3 da tabela periódica, eu garanto], um pouco de atenção e de amor.
Até aqui, o pouco que eu sei me diz que isso não se compra. Mas os espelhos me dizem que eu podia muito bem comprar uma roupa mais bonita, um shampo mais caro, um perfume mais marcante, uma maquiagem a prova de agua, muitos livros que não leria em 3 vidas, mais uns pares de sapatos e bolsas, uma variedade delas. Talvez eu usasse todas essas bolsas que eu não tenho para guardar meus sonhos, meus medos e minha vida. E se um dia alguém as achassem, e resolvesse abri-las eu garanto que lá iria ter um menina muito feliz, uma menina simples que deixou de viver a vida que ganhou de graça para correr atrás de uma outra vida que nunca foi boa o bastante para ela.

da nossa dependencia

É realmente real nossa dependência. Somos animais que necessitamos de uma sociedade, de nos incluirmos em grupos; Nós vivemos, trabalhamos, estudamos para sermos aceitos e ainda temos dificuldades em aceitar os outros. Isso é bem mais assustador no meu ponto de vista. Vamos usar como exemplo a minha vida.
Eu sempre me pego levando a serio o verbo "socializar". Universidade, vizinhos, ônibus, lojas, ruas... lá vou eu andando e socializando... sorrisos, gentilizas, faço porque é sincero, porque eu gosto, porque assim é ser eu. Esse meu eu teimosamente tão simpático que não cabe em mim. Pessoas e suas interpretações podem me definir como "amostrada", "dada", "carente", "feliz", enfim adjetivos que tanto me comovem quanto me corrompem. Comunicação nunca me deu dor de cabeça, falo pelos cotovelos, joelhos, calcanhares, me esqueço que só tenho uma boca, então eu gesticulo, eu me mexo, eu perturbo a atmosfera em minha volta, causando amoress e intrigas. Os meus, muito me gostam assim, não me aguentam quando me faço quieta demais. Às vezes quando quieta chamo mais atenção. Mas meus laços sociais nem sempre me são reciproco, e o que pago por querer todos e não te-los é muito. Se falo muito desagrado, se falo pouco fico chata, se quero sou insistente, se desisto sou fraca. Sofrimento é a palavra que descreve quando não agrado; quando perco; quando erro. Eu sei, o sofrimento nos leva ao equilíbrio, à elevação, à evolução. Talvez eu fique feliz em sofrer, e sofro demais em perder.