quarta-feira, 13 de maio de 2009

do tempo

Depois que aprendi a contar o tempo ele me dominou. Nada nunca dura o que deveria durar.
Pra dormir a noite é pouca, pra sofrer o dia é imenso, pra sair o tempo é curto, pra estudar o tempo é corrido, pra conversar o tempo é contado. Conta-se o tempo que uma vida dura, o tempo entre um ônibus e outro, o tempo que falta pra encontrar alguém, o tempo que falta pra ir embora, o tempo que demora pra chegar lá, o tempo que sobra, e o tempo que não existe. O tempo é contado pra organizar o dia, pra fazer as pessoas se encontrarem num mesmo momento, pra você ser atendido sem espera, pra as aulas começarem iguais, pra todo mundo sair junto, pro show custar o quanto dura, pra seus pais definirem seus limites, pra que existam festas de aniversário. Enquanto eu envelheço, eu planejo meu dia, enquanto meus traços murcham, eu vejo meus encontros acabarem não acontecendo, meus cabelos já não são os mesmo e tô me atrasando pra aquela aula que vai começar sem mim, minha mente já não lembra dos detalhes; eu tenho hora pra chegar e tenho hora pra voltar. E enquanto eu espero mais um aniversário eu perco meu tempo contando o tempo que falta pra ser feliz.

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