domingo, 10 de maio de 2009

do que eu preciso

Precisar de algo é não ter opções; é sofrer; é correr atrás; é não ter.
Eu não tenho muitas coisas, por isso que vivo correndo atrás delas, daí eu vivo a sofrer, porque correr cansa, e eu prefiro andar devagar, bem devagarzinho... Eu prefiro olhar os carros, o movimento, a luz, o céu, o vento e os espelhos. Sim, eu adoro os espelhos. São os espelhos que mostram que eu não tenho opções e sim um padrão; são eles que me fazem querer ser. Ser mais bela, mais simpática, mais divertida, mais feliz, mais amorosa, mais cruel, mas dura, mais fria, mais crente, mais, mais, mais. Muito mais do que e sou. E eu, logo eu que preciso de tão pouco. Um pouco de luz, carbono, oxigênio [menos de 1/3 da tabela periódica, eu garanto], um pouco de atenção e de amor.
Até aqui, o pouco que eu sei me diz que isso não se compra. Mas os espelhos me dizem que eu podia muito bem comprar uma roupa mais bonita, um shampo mais caro, um perfume mais marcante, uma maquiagem a prova de agua, muitos livros que não leria em 3 vidas, mais uns pares de sapatos e bolsas, uma variedade delas. Talvez eu usasse todas essas bolsas que eu não tenho para guardar meus sonhos, meus medos e minha vida. E se um dia alguém as achassem, e resolvesse abri-las eu garanto que lá iria ter um menina muito feliz, uma menina simples que deixou de viver a vida que ganhou de graça para correr atrás de uma outra vida que nunca foi boa o bastante para ela.

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